A inflação brasileira voltou a ficar dentro do intervalo de tolerância da meta, mas o resultado de julho, isoladamente, não afasta a cautela do Banco Central em relação aos próximos passos da política monetária. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado nesta terça (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), avançou 0,07% em julho e acumula alta de 4,44% em 12 meses, enquanto o BC mantém uma postura de cautela sobre os próximos passos da política monetária.
A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, o que estabelece um limite superior de 4,5%. Com o resultado de julho, portanto, a inflação acumulada em 12 meses voltou a ficar abaixo desse teto.
Na última reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic de 14,25% para 14% ao ano, no quarto corte consecutivo da taxa básica de juros. Apesar da sequência de reduções, o Banco Central evitou antecipar qual será a decisão nas próximas reuniões.
Na ata divulgada nesta terça-feira (11), o Copom reforçou que a intensidade do ciclo de redução dos juros será definida de acordo com a evolução do cenário econômico. O colegiado avalia que o atual ambiente exige cautela diante das incertezas e dos riscos para a trajetória dos preços.
Inflação menor não garante novos cortes dos juros
A desaceleração do IPCA melhora o cenário para a política monetária, mas a decisão sobre os juros considera não apenas a inflação observada no presente, como também as expectativas para os próximos meses e anos.
O Banco Central ainda identifica fatores de pressão, como a desancoragem das expectativas de inflação, a resistência da inflação de serviços, as condições da atividade econômica e os riscos relacionados ao cenário fiscal e internacional.
A autoridade monetária também avalia que a demanda continua exercendo pressão sobre os preços e considera necessário manter a política monetária em terreno contracionista para assegurar a convergência da inflação para a meta.
As próprias projeções do Banco Central ajudam a explicar a cautela. Para o fim de 2026, a estimativa é de inflação de 5,1%, acima tanto da meta de 3% quanto do limite superior de tolerância de 4,5%.
O foco da política monetária, no entanto, está mais adiante. No chamado horizonte relevante, atualmente no primeiro trimestre de 2028, a projeção do BC aponta inflação de 3,2%, próxima do centro da meta.
Esse cenário mantém aberta a possibilidade de continuidade do ciclo de redução da Selic, mas sem compromisso antecipado com novos cortes ou com a intensidade das próximas decisões.
O que inflação e juros significam para o consumidor
A queda da inflação acumulada representa um sinal de menor pressão sobre os preços, mas isso não significa necessariamente que produtos e serviços ficaram mais baratos. Uma inflação menor indica, de forma geral, que os preços estão subindo em ritmo mais lento.
Os juros, por outro lado, influenciam diretamente o custo do crédito na economia. A Selic serve como referência para outras taxas e seus movimentos podem chegar, em diferentes intensidades e prazos, aos empréstimos e financiamentos oferecidos a consumidores e empresas.
Quando os juros permanecem elevados, o crédito tende a ficar mais caro, o que pode reduzir o consumo e os investimentos e, consequentemente, ajudar a conter a inflação. Já um ciclo de redução da Selic pode favorecer gradualmente condições de crédito menos restritivas.
Por isso, mesmo com a inflação novamente abaixo do teto da meta, o Banco Central sinaliza que pretende acompanhar os próximos indicadores antes de definir a velocidade e a extensão do atual ciclo de redução dos juros.
Fonte: Brasil 61